PRÓLOGO
Ofereço ao desejo dos curiosos, expondo à mordacidade dos críticos este volume, que compreende os primeiros quatro meses do Anno Histórico, e os primeiros dento e vinte dias do Diario Portuguez. Da primeira folha consta o invento, o título, e o assento de toda a obra, e no corpo dela se verá o desempenho, e o estilo. Aqui achará o curioso Leitor muitas, e diversas notícias, em que pode exercitar o génio, e influir, não inutilmente, a sua aplicação. Digo, não inutilmente, porque se (como disseram os antigos, e confessam os modernos) a história é mestra da vida, e o nível das acções humanas; neste compêndio de histórias pode cada um regular as suas acções; já imitando as heroicas, já compondo as que o não são; que por estas mesma causa se referem aqui, não só as que podem servir de exemplo, mas também muitas, que produziram escândalo. Os que desejam abraçar os ditames da perfeição Evangélica, têm aqui outros tantos espelhos, quantos são os Santos, cujas vidas, e acções sumariamente se referem. Os que seguem a guerra, ou a Corte, ou as Universidades, têm outras tantas ideias dos seus acertos, quantos são os famosos Generais, os prudentes, e atentos Cortezões, os insignes, e excelentes Letrados, de que aqui se trata. Nas acções dos Reis, e Príncipes antigos, têm juntamente os modernos muito que aprender, e os Vassalos muito que louvar. Os sucessos Trágicos, os Bélicos, os Políticos, que se referem do tempo passado, também são regra, por onde se devem medir, e regular os do tempo presente, e futuro. Os sinais do Céu, as pestes, os incêndios, os naufrágios, são outras tantas admoestações para a nossa emenda, e para o temor de semelhantes castigos.
Pelas razões sobreditas, parece não ser inútil esta obra, principalmente para os Portugueses, os quais com maior razão se devem deixar persuadir dos exemplos, das pessoas, e sucessos, que especialmente tocam a Portugal. E para que o possam conseguir com menor trabalho, sem abrir a multidão dos livros impressos, e manuscritos, (quantos são os de tantos Autores, que mais vastamente tratam as matérias, de que escrevo as notícias mais verídicas) as recompilei neste compêndio, cuja diversidade deve servir à comum aceitaçãp, porque nele se achará facilmente o que, sem muito estudo, se não poderá ler em tanto número de Escritores; dos quais elegi a mais verosímil certeza, sem questionar as outras opiniões, que eles entre si fazem duvidosas em circunstâncias acidentais, talvez por não sujeitarem a sua erudição, a dif
Pelas razões sobreditas, parece não ser inútil esta obra, principalmente para os Portugueses, os quais com maior razão se devem deixar persuadir dos exemplos, das pessoas, e sucessos, que especialmente tocam a Portugal. E para que o possam conseguir com menor trabalho, sem abrir a multidão dos livros impressos, e manuscritos, (quantos são os de tantos Autores, que mais vastamente tratam as matérias, de que escrevo as notícias mais verídicas) as recompilei neste compêndio, cuja diversidade deve servir à comum aceitaçãp, porque nele se achará facilmente o que, sem muito estudo, se não poderá ler em tanto número de Escritores; dos quais elegi a mais verosímil certeza, sem questionar as outras opiniões, que eles entre si fazem duvidosas em circunstâncias acidentais, talvez por não sujeitarem a sua erudição, a dif