14 de AGOSTO (III)


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Entramos a referir um sucesso dos mais gloriosos que enobreceram e ilustraram no mundo a Nação Portuguesa. Por morte delRey D. Fernando de Portugal, entrou nas pretensões da sucessão deste Reino ElRey D. João I de Castela, pelo direito, que ficava a sua mulher a Rainha D. Beatriz, filha do dito Rei defunto. Por esta causa se fez aclamar Rei de Portugal na Cidade de Toledo, onde teve grandes presságios do muito, que lhe havia de ser infausta aquela pretensão. Não negavam os Portugueses, que haviam jurado a Rainha D. Beatriz, por herdeira, e sucessora do Reino; mas era sem dúvida, que fora feito este juramento em Cortes, debaixo de certas condições justas, e necessárias ao bem comum, as quais o mesmo Rei também jurara, e agora rompia, sem atenção a outro algum respeito mais, que a tomar posse do Reino, saído no seu poder. Seguiram a mesma voz muitos Portugueses, e muitos deles da primeira qualidade, ou, porque ali se lhe representava mais certa a justiça, ou os seus interesses mais certos. O restante da Nação (em que entrava a maior parte dos Prelados, grande parte da nobreza, e geralmente o povo todo) não sofria que ElRey de Castela os quisesse dominar à força de armas, executando (como fazia) horríveis crueldades. Estava por estas causas nomeado Defensor do Reino D. João, Mestre de Aviz, Príncipe de sangue Real, e havia rebatido por muitas vezes com estremado valor as invasões dos Castelhanos, e concordariam nele tantas razões (suposto o estado presente) para a sucessão do Reino, que este congregado em Cortes, o aclamou Rei em Coimbra, reservando-se, porém, a última decisão de tão grande pleito, para o duvidoso transe de uma batalha. Abalou ele da Vila de Abrantes em demanda dos Castelhanos, que já andavam dentro em Portugal, e sucedeu, que pondo-se a cavalo, se lhe quebrou o loro de um dos estribos, e vendo, que os circunstantes devam f